Home Office: risco ou benefício?

Por Age! Comunicação | 15 de julho de 2015

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No Brasil, empresas de TI são as que mais aderiram à pratica, mas enfrentam dificuldades pela regulamentação vinculada a normas tradicionais da CLT Home office é uma realidade no mercado mundial e cada vez ganha mais espaço no Brasil. Segundo a consultoria Top Employers Institute, de 2013 para 2014 a gestão do trabalho remoto nas empresas brasileiras cresceu cerca de 130%. Em franca expansão, a prática enfrenta um entrave no país: é regida pelas normas trabalhistas tradicionais desde 2011, quando houve a publicação da Lei 12.551, que alterou o artigo 6 da CLT e estabeleceu, para efeitos jurídicos, regras idênticas para o trabalho remoto e presencial.

A ausência de uma regulamentação própria torna o home office uma preocupação para o empregador, especialmente por conta do cumprimento da jornada de trabalho, em função da falta de mecanismos de controle, afirma Rodrigo Dorneles, advogado especializado em Direito Empresarial com ênfase no Direito do Trabalho. “Vários empregadores, ao se depararem com a inviabilidade do efetivo registro da jornada, optaram pela dispensa de seu cumprimento, como faculta o artigo 62, I da CLT”, destaca o especialista.

O advogado ainda salienta que, durante o período de trabalho com flexibilidade concedida para atender as demandas pessoais, o gerenciamento da jornada deve ser feita pelo funcionário “ao estar dispensado do controle de horário, o desafio do empregado é gerir ao longo do dia como será cumprida a carga de trabalho”. Na Pesquisa Home Office 2014, realizada pela SAP Consultores Associados, com mais 200 empresas analisadas, aponta que 36% das companhias brasileiras apresentam prática de home office e, nessa fatia, 42% têm política estruturada de trabalho remoto – grande parte delas com pouca maturidade: menos de cinco anos. No país, as empresas de tecnologia ainda são as mais abertas ao modelo de jornada flexível – 19,23% do total, enquanto que nas indústrias farmacêutica e têxtil o sistema ainda é pouco usado.

 

Redução de custos e produtividade
Nos Estados Unidos, segundo um estudo realizado pela Global Place Analytics, as companhias poderiam poupar juntas cerca de US$ 500 bilhões por ano se as pessoas trabalhassem remotamente por apenas meio período e estima que a economia com a mudança chegue a US$ 11mil por ano, por funcionário, consideradas as contas de aluguel e energia.

69% das empresas acreditam que a flexibilidade é o principal motivo para a adesão à prática. Melhoria de qualidade de vida (67%) e redução de problemas com tempo e locomoção (45%) vêm logo atrás, seguidas da redução de custos (31%).

Quanto aos resultados, a satisfação é o catalisador do processo, dizem 74% das empresas, sendo que 42% delas revelaram que tiveram ganhos em produtividade e 31% acreditam que seja uma prática de retenção de talentos. Um levantamento do instituto americano Gallup mostra que os funcionários que adotam parcialmente o home office dedicam 4 horas semanais a mais do que quem cumpre jornada no escritório.

O trabalho flexível também é uma ferramenta para motivação. Uma pesquisa da consultoria PwC, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), de São Paulo, com 113 companhias que juntas empregam 1,6 milhão de pessoas, mostra que uma das principais aspirações de seus funcionários é buscar formas alternativas de trabalhar — lado a lado com demandas por remuneração mais competitiva e um sistema de promoções baseado na meritocracia.

 

Mobilidade
Não interessa quando e nem onde, o que realmente importa é ter acesso às informações necessárias para atender às demandas do trabalho. Com dispositivos móveis, toda sua infraestrutura está disponível: sistemas, dados, clientes e equipe.

Além disso, muitos processos podem ser agilizados com a utilização de plataformas móveis, como reuniões, conferências e até mesmo entrevista de contratação. Iniciativas de Bring Your Own Device (BYOD) ou Choose Your Own Device (CYOD) necessitam de atenção por parte das empresas. Investimentos em MDM (Mobile Device Management) devem ser considerados para o gerenciamentos dos gadgets utilizados. Controlar e proteger os dados e definições dos dispositivos é fundamental e reduzem custos com suporte e os riscos do negócio.

 

Sustentabilidade
Na Espanha, um estudo realizado pela Efficient Energy among SMEs, de 2015, aponta que as pequenas e médias empresas do país poderiam reduzir em até 25,9% o consumo ao adotar medidas com foco na eficiência energética. Segundo a pesquisa, a energia elétrica gasta nos escritórios equivale ao dobro dos equipamentos usados em casa.

Além disso, com o trabalho remoto é possível reduzir a quantidade de horas usadas no deslocamento até a empresa e até das horas de voo utilizadas. De acordo com um estudo divulgado em 2013 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o tempo de deslocamento entre a casa e o trabalho em uma cidade como São Paulo, por exemplo, costuma ser de 42 minutos, em média. Com isso, o tráfego torna-se a principal causa da poluição. O trabalho remoto diminui os deslocamentos, reduzindo as emissões de carbono, ao contribuindo para a estabilidade ambiental. “Um dos fatores mais relevantes que o empregado deixa de estar dependente é o de locomoção, eis que o trânsito caótico e moroso dos grandes centros urbanos tem grande influência na qualidade de vida”, analisa o advogado.
Fonte: Revista Mercado TI jul/2015

 



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